sábado, 12 de maio de 2012

TEMPUS FUGIT

O tempo corre, as horas, os dias, as semanas, os meses, os anos passam quase sem darmos por isso. Vivemos, crescendo e aprendendo, com um olhar no futuro que parece não chegar, e nós sedentos de “ser alguém”. E num momento em que o tempo pára, a visão distorce-se e tudo parece perder o sentido, só uma coisa é real: o agora. Somos obrigados a aceitar que somos simplesmente humanos. E aí restam os fragmentos da felicidade e facilidade de outrora, fragmentos que teremos de reunir e carregar connosco, enquanto voltamos lentamente à ilusão de que o fim ainda está longe.

O tempo foge, irremediavelmente ele foge. Não adianta ignorar porque ele nunca se esquece, nunca espera. Enfrentá-lo é respeitá-lo, porque não o podemos vencer. E o amor é a única coisa que devemos deveras ambicionar, porque ele nunca morre, nunca se esgota e alimenta o espírito em todos os momentos da vida. O amor-próprio, o amor aos outros, é isso que nos aconchega a alma e nos dá força para viver, um dia de cada vez, e continuar… Enquanto existir amor, todas as vitórias e derrotas encontram no seu cais um porto seguro para ancorar, e no íntimo do nosso coração residirão todos aqueles que amamos e perdemos. 

A memória é uma faculdade fascinante, o poder guardar e recordar momentos, sensações e pessoas, é uma ferramenta frutuosa. Mas a memória às vezes também nos atraiçoa, e quando desejamos esquecer, ela convida-nos a relembrar um pouco mais, e enquanto o coração chora de saudade, a memória diz-nos “isto é bom”. Mas não a devemos culpar, porque recordar é melhor que esquecer, e um dia quando as memórias forem menos dolorosas vai ser bom saber que valeu pena e que há uma razão para a nossa existência: sermos felizes. 

Por isso mesmo devemos agarrar o tempo e enquanto ele tenta escapar-nos por entre os dedos, vivermos ainda com mais força, mais alegria e mais esperança. Um dia pode ser já amanhã, e enquanto andamos preocupados com a casa ou o carro que queremos comprar quando formos “grandes” (ou qualquer outro problema “insolúvel” que parece encher-nos o pensamento), podemos parar no tempo, olhar em volta e agradecer-lhe, agradecer porque estamos aqui, agora e temos as ferramentas todas para sermos felizes, só temos que querer. Vamos ser felizes… 

Para Ti Avô: 
Porque por mais que o tempo passe,
As tuas memórias hão-de viver sempre em mim. 

26-04-2012



La persistencia de la memoria , Salvador dalí (1931)